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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A tragédia carioca [4]

Estava esperando tudo se acalmar para escrever sobre o fim das mega operações que aconteceram no Rio como represália às queimas de automóveis feitas pelo tráfico.

Foram apreendidas mais ou menos 33t de maconha, 350kg de coca em pasta, 200 fuzis entre outras drogas e armamentos ilegais.

Com os olhos do Brasil e do mundo voltados para essa ação policial,poucos tiros foram trocados, poucos mortos registrados, nenhum cabeça do tráfico preso.E é aí que entra a grande contradição dessa operação.É um sucesso de planejamento e execução mas nenhum chefe do tráfico foi preso.

Por outro lado, o banho de sangue que eu e muita gente esperava e que um belo setor da sociedade desejava não aconteceu e isso contribuiu imensamente para a imagem da polícia perante os cariocas.

No fim das contas, o grande ganho foi dos moradores dessa área de 400.000 habitantes que agora passou a viver efetivamente no Rio de Janeiro, com funcionários de empresas públicas e concessionárias indo prestar os serviços que eles prestam no resto da cidade.

.O estado abandonou por tempo demais uma área com algo em torno de 5% da população da cidade com a desculpa de que o tráfico não os deixava entrar, agora não há mais tráfico.Essa gente precisa de escolas, são só duas na região, precisa de saúde, enfim, de dignidade para que não olhe mais para o traficante manda-chuva( não se iludam, o tráfico não acabou) como uma espécie de modelo de conduta.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Filmes sobre drogas

Mais ou menos recentemente eu tive a oportunidade de ver dois filmes que abordam o mesmo tema do submundo das drogas, o célebre Trainspotting e o filme que lançou Gus Van Sant, Drugstore Cowboy.

E as semelhanças meio que acabam pelo tema, enquanto Trainspotting adota uma estética totalmente submundizada, decadente e, paradoxalmente possui personagens que glamourizam essa situação, de serem viciados em drogas (opiáceos, nesse caso), se auto intitulando os verdadeiros livres do mundo, o mundo de Drugstore Cowboy é completamente suburbano,de um tempo que não havia decadência e os EUA viviam os anos dourados,uma casa arrumada, pessoas limpas ,distintas , que se dispõe a aplicar golpes para furtar farmácias, para usar qualquer coisa.

Matt Dillon e sua gangue estão sempre bem apessoados, apesar de injetarem drogas constantemente, não se vê um declínio na sua condição psicológica, eles apenas furtam o necessário para se manterem constantemente drogados.A Gangue de Ewan McGregor possui aparência fantasmagórica, todos com profundas olheiras, vestimentas rasgadas,sujas, sempre à procura de algo para vender ( roubar farmácias nos anos 90 não é a mesma coisa do que fazer o mesmo nos anos 70, onde se passa Cowboy)

Ambos, porém, tem um ponto de virada na história dos seus astros muito parecido, a morte de alguém próximo, em Cowboy por overdose e em Trainspotting por abandono( um bebê). Quando se deparam com esses eventos, ambos decidem por se livrarem das drogas de vez.

Enquanto Drugstore Cowboy não se aprofunda nas questões gráficas, a sensação de estar drogado, o que isso leva os personagens a fazer, talvez porque em todo o filme eles não fiquem sóbrios, Trainspotting leva o grafismo da droga ao seu limite ao tentar explicar visualmente uma overdose de heroína.

São dois filmes de diferente propostas, mas ambos com uma fotografia perfeita ao caso aplicado.Duas belas obras cinematográficas, com fortes atuações, que valem a pena ver.Recomendo inclusive que vejam na ordem cronológica, Drugstore Cowboy e depois Trainspotting, ambos junkies de seus tempos

domingo, 16 de novembro de 2008

Because i got high

Há quem pregue que as drogas ilícitas são o mal maior que alfinge a humanidade e,sem elas nossa sociedade seria saudável e feliz.Doce inocência,senão hipocrisia,as drogas lícitas estão por todos os lados e fazem cada dia mais viciados,veja por exemplo, o anti-anseolítico Clonazepam (de múltiplos nomes fantasia) é o segundo remédio mais vendido no Brasil;a brasileira AmBev(agora ImBev) é a maior produtora de cerveja do mundo e a indústria do cigarro é também gigantesca, principalmente na Ásia , onde não existem tantas campanhas contra o tabagismo.
O que faz dessas drogas melhores que cocaína,maconha ou LSD?Além de quem lucra com a venda, não imagino outra razão.
É impressionante como o mal que as drogas causam tem valor inversamente proporcional ao número de congressistas em sua bancada.Quando houver uma bancada do pó, a cocaína vai fazer maravilhas para seu déficit de atenção e cansaço