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sábado, 8 de outubro de 2011

Aventuras gastronônicas

Estou fazendo um curso no rio aos sábados, sabe como é, trocar a felicidade pelo saber jurídico e essas coisas.

Como o centro fica meio longe da minha casa, tenho que almoçar algo por aqui e nos finais de semana as opções não são tão vastas.Tirando galeterias ( devia ter ido em uma, aliás) e junk food, só o que tinha como opção era o La mole, uma rede de restaurantes wannabe chiques daqui do Rio.

E nos 20 minutos que fiquei por lá, acho que entendi porque donos de restaurante reclamam que eles não dão lucro: eles são completamente amadores na maneira de lidar com seu negócio.

Vamos começar pelo número de garçons. Um restaurante onde se poderia escolher entre buffet e escolher do menu, com pouco mais de 20 mesas, possuía incríveis 6 funcionários, sem contar com a moça cujo trabalho é abrir a porta. É muita gente olhando você comer e pouca gente de fato atendendo, sempre havendo um ou dois funcionários ociosos pela simples falta do que fazer.Apesar dessa turma toda, o atendimento não era impecável, coisas bobas como não se dar ao trabalho de servir do lado certo da mesa, fazendo o cliente ter que pegar o prato da mão do funcionário é algo, para mim, fora de padrão de um restaurante que se diz chiquinho.

E aí entra a questão da cozinha, que também não atende a padrões considerados corretos, nesse caso para todos, imagino. Meu pedido, um frango com quiche e salada ( ok, talvez tenha sido culpa minha por ter feito um pedido tão menininha) veio acompanhado de uma salada que devia estar de bobeira na geladeira do restaurante há pelomenos 4 dias, as folhas tinham queimaduras de frio nas pontas e aqueles pontos negros no meio que indicam deterioração. O fato de estar escrito Ceasar salad e apenas uma montanha de alface com alguns croutôns serem servidos também não ajudou.

Por ter aprendido com minha sábia mãe que nunca se manda um prato voltar para a cozinha sob pena de ser imensamente sacaneado, comi o que estava bom e ao fim da refeição comuniquei ao gerente o estado da minha salada. Resultado? Não tiveram cara de me cobrar.R$20 que o dono daquele restaurante nunca verá na vida dele ( fora o que custou para fazer o prato).

Na mesa ao lado, uma senhora pediu para que passassem mais a carne dela. Tudo já começou errado quando não perguntaram a ela o ponto desejado da carne, diga-se, mas quando um caso desse acontece, se retira o prato todo, se reassa a carne e se retorna o mais rápido possível.Mas esqueceram do pedido da senhora.Resultado? Tiveram que servir um prato de R$40 duas vezes mesmo ela tendo comido os acompanhamentos do 1o prato, já que a carne não se fazia presente naquele momento.

Cometendo tantos erros em 20 minutos, fica difícil lucrar.Vendo gente administrar seus negócios assim, até pilho um pouco em abrir meu pub viu...

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estupidez Subterrânea

Hoje eu tive o desprazer de usar dos serviços de metrô da cidade do Rio. Os carros são caídos, as estações também.Mas isso não me incomoda muito, estações acanhadas e trens ruins eu também vi por todos os lugares que eu fui, o problema está no projeto das linhas.

Antes de falar do sistema de trem, devo falar da figura do " trem de superfície". O serviço de Metrô oferece um ônibus mais barato para alguns destinos na zona sul onde os trens de fato não alcançam e tem a coragem de chamar o serviço de Trem de Superfície.

Bem, pra mim Trem de Superfície é aquele que, pra começar é trem, roda sobre trilhos e toda aquela formalidade FERROviária, aparentemete aqui no Rio isso é apenas um detalhe sintático.

Mas a criatividade de transportes urbanos não poderia simplesmente parar com uma pequena anedota, algo mais abrangente deve acontecer,o que fazer?

Eis que então os responsáveis pelo planejamento das linhas tiveram a brilhante ideia de fazer a linha verde e a laranja rodarem sobre os mesmos trilhos, já que não há diferença de níveis entre elas.

Então trafegam na mesma linha os dois tipos de condução. Um distraído pasasgeiro indo para a zona norte pode querer ir para a não tão longe Tijuca e parar na far far away Pavuna.


Mas notem a zona sul, uma linha acaba em botafogo, enquanto a outra se extende até Ipanema, portanto, se você pegar o primeiro trem que aparecer na, digamos, Cinelândia, podes ser forçado a parar em Botafogo e ficar aguardando pelo "trem certo".

Se tem duas linhas, a façam em níveis diferentes para rodar no mesmo trajeto, se elas só se bifurcam no estácio, faça a discriminação de linhas só lá. É só isso que eu peço, bom senso.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Paradise Steakhouse [2]

Estou em um estágio no centro do Rio.Por motivos óbvios, comer em casa se tornou um luxo.

O que me leva à crítica culinária, naturalmente.

A comida a quilo oferecida no centro do Rio de Janeiro é extremamente pobre, em variedade, sabor e criatividade. É uma comida muito da sem graça e cara.

Não deve ser fácil fazer comida naquela escala, mas se dedicar em uma atividade culinária, ao envés de oferecer em uma mesma tarde, sushi,massa,carnes,comida árabe e feijão preto.Sinceramente essa diversidade, ela não abarca mais gente, ou pelomenos não deveria.Mas parece que as pessoas não se importam tanto com o gosto,se importam apenas em poder ter variedade.

Sempre achei a comida da minha avó muito burocrática, pouco inventiva, mas agora daria tudo por essa burocracia no almoço diariamente

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A tragédia carioca [4]

Estava esperando tudo se acalmar para escrever sobre o fim das mega operações que aconteceram no Rio como represália às queimas de automóveis feitas pelo tráfico.

Foram apreendidas mais ou menos 33t de maconha, 350kg de coca em pasta, 200 fuzis entre outras drogas e armamentos ilegais.

Com os olhos do Brasil e do mundo voltados para essa ação policial,poucos tiros foram trocados, poucos mortos registrados, nenhum cabeça do tráfico preso.E é aí que entra a grande contradição dessa operação.É um sucesso de planejamento e execução mas nenhum chefe do tráfico foi preso.

Por outro lado, o banho de sangue que eu e muita gente esperava e que um belo setor da sociedade desejava não aconteceu e isso contribuiu imensamente para a imagem da polícia perante os cariocas.

No fim das contas, o grande ganho foi dos moradores dessa área de 400.000 habitantes que agora passou a viver efetivamente no Rio de Janeiro, com funcionários de empresas públicas e concessionárias indo prestar os serviços que eles prestam no resto da cidade.

.O estado abandonou por tempo demais uma área com algo em torno de 5% da população da cidade com a desculpa de que o tráfico não os deixava entrar, agora não há mais tráfico.Essa gente precisa de escolas, são só duas na região, precisa de saúde, enfim, de dignidade para que não olhe mais para o traficante manda-chuva( não se iludam, o tráfico não acabou) como uma espécie de modelo de conduta.

sábado, 27 de novembro de 2010

A tragédia carioca [3]

O Rio de Janeiro voltou a viver relativa paz nesse sábado, nem nenhuma notícia de incêndio ciminoso em veículos desde o meio da madrugada.

Agora todos os olhos cariocas, e provavalmente brasileiros estão voltados para o complexo do alemão, que está cercado por uma força multidisciplinar, revistando cada pessoa que entra e sai do complexo.

Nessa manhã foi dada a opção de rendição dos bandidos nas seguintes condições- que saissem com sua arma de trabalho por sob a cabeça, em uma rua específica.Dessa forma as forças policiais garantiam a prisão em flagrante por porte ilegal de armas e associação para o tráfico de todos.Os bandidos tem advogados e já devem saber que não é uma ideia muito interessante ter algo entre 6 e 16 anos de prisão somados aos processos que já respondem ou, para os primários, ganharem uma ficha criminal.

Provavelmente por isso, não houve nenhuma rendição nesses termos.

A polícia agora usa da sua posição de vantagem para fazer um jogo psicológico com os bandidos, ameaçam a todo o momento invadir, deixando-os nervosos, apreensivos.Como num cerco de um castelo medieval, comida e água devem estar se tornando recursos parcos para uma gangue tão numerosa ( especula-se algo entre 700 e 1100 homens armados).

É tamanha a desorganização de combate dessa gangue que na hora que a polícia subir, um banho de sangue tome lugar.Se morrerem numa troca de tiros, não há o que culpar a polícia, mas devemos, como sociedade, ficar alertas para execuções que podem tomar lugar nos altos dos morros, onde não haverão lentes.

Não há uma guerra no Rio, a parte opositora não possui organização nem ideal.O que há é o combate a uma gangue armada, não se pode perder isso de perspectiva sob pena de justificar qualquer ato.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A tragédia carioca [2]

Hoje foi um dia muito, muito movimentado na capital carioca.Enquanto a maioria das pessoas procurava ter um dia normal, ir ao trabalho, o BOPE preparava uma megaoperação no conjunto de favelas da Penha.

Na ida para o trabalho, o carioca procurou evitar as vias expressas, por medo de se ver encurralado e o trânsito foi extremamente caótico, faltou transporte público nas primeiras horas da manhã por puro descaso das companhias de ônibus.Também houveram ataques incendiários que tornaram a Av. Brasil um martírio para atravessar.

Então mais ou menos as 13h o BOPE, se valendo de blindados de transporte pessoal cedidos pela Marinha do Brasil, invadiu o que se dizia intransponível no Rio.Após 3h se viu uma revoada de bandidos fortemente armados fugirem para o Complexo do Alemão por uma trilha no topo da Vila Cruzeiro.Não passou muito tempo para o governo do estado anunciar que o complexo da Penha seria a nova agraciada com uma UPP, com certeza muito adiante do planejado ( se é que haviam planos para isso originalmente).

Não tenho dúvidas que será bem sucedido em instalar essa UPP, como também acho provável que domine e "pacifique" o temido complexo do Alemão nos próximos dias.Ainda que sejam mais de 1000 fuzis, os seus usuários não tem a capacidade técnico-organizacional para oferecer uma resistência forte ao BOPE.Suspeito, contudo que no Alemão haverá um banho de sangue, do sangue que o BOPE foi treinado, como cachorro, para perseguir a todo custo.

E enquanto isso tudo ocorre no subúrbio próximo do Rio de Janeiro e os moradores são forçados a dormir em abrigos, nada é feito para encontrar e prender o verdadeiro traficante internacional, que estudou bem mais do que os 3 anos de educação média do traficante de morro carioca, que traz drogas e armas sofisticadas por nossas fronteiras e as faz chegar no seu ponto de venda.

A inteligência da polícia estadual do Rio é risível, nenhuma informação, nenhuma prisão grande é feita mesmo quando grandes líderes do varejo das drogas são presos.Todo esse espetáculo bélico serve para tirar dos traficantes o poder de fogo, não se iludam quanto ao fim do tráfico.

ps. e os mesmo que correm aterrorizados dos carros em chamas são os que nem sabem que Madureira tem tiroteios constantes há aproximadamente 10 meses.Ou estamos em guerra o ano todo ou não estamos nunca.

A tragédia carioca

É difícil falar sobre algo que está acontecendo, muitas coisas podem não ser verdade, outras tantas podem ainda não ter sido descobertas.

Mas o que parece acontecer no Rio é algo não muito diferente do visto a uns 5 anos atrás, quando roubaram fuzis de um paiol do exército, esse foi às ruas recuperá-los e os bandidos em geral retaliaram queimando carros e afins.

Dessa vez o governo diz que é uma retaliação contra as UPP's , que estariam sufocando as facções criminosas, tirando seus principais pontos de venda ( localizados na zona sul, zona portuária e cidade de deus ( "barra'')) e comprimindo-os aos espaços apertados e disputados da zona norte.

Nessa zona norte e oeste, os rincões de pobreza no rio, onde boa parte das pessoas vive em comunidades, 5 poderes conflitam-os bandos ADA,CV,TC , a milícia e a PM.Especula-se que os 3 bandos armados do tráfico tenham unido seus poderes, de um jeito bem capitão planeta mesmo, para combater a PM, manter e ampliar seus domínios.

E nesse meio fica a população, que está amedrontada e nisso os meios de comunicação, sejam eles oficiais ou o disse-me-disse, não ajudam, muitos arrastões e incêndios criminosos são inventados, ampliados, aproximados.Apesar de sermos uma população muito acostumada com a violência, parece que a toleramos esquecendo-a e esses eventos vem para nos mostrar toda a realidade em que vivemos.

O governo Sérgio Cabral escolheu a sua forma de atacar o tráfico, avisando com antecedência onde reocuparia para que os criminosos fugissem e a manchete fosse de sucesso sem disparos.Não houve um serviço de inteligência que prendesse esses elementos nem apreendesse armas e drogas, elas simplesmente se mudaram.

Aparentemente elas agora estão em um quarto apertado demais e querem espaço.

domingo, 17 de outubro de 2010

UPP da teoria e a da prática

Se você não viu tropa de elite 2, esse post pode conter spoilers acidentais.

Mais ou menos pelo meio do governo Sérgio Cabral, em 2008, a situação da segurança no Rio de Janeiro havia atingido seu ponto mais baixo, com uma criminalidade em espiral, a política de enfrentamento total do tráfico de Itagiba havia claramente falhado, vez que os traficantes começaram a se armar cada vez mais, deixando o confronto insustentável.Falhou também a, de acordo com a CPI das milícias, sua genial ideia de criar as milícias para extorquir os cidadãos que viviam nas comunidades.

Em uma situação desfavorável politicamente e querendo provar a todo custo que o enfrentamento era a última solução para os problemas do Rio, Cabral colocou como secretário de segurança Mariano Beltrame, delegado da PF como Itagiba, quer dizer, pelo menos assim Cabral pensava.

Beltrame se provou um secretário excelente, de visão diferenciada, logo vendo que o confronto não iria levar a lugar nenhum.Eis que veio a idéia da UPP.A UPP(Unidade de Polícia Pacificadora) é a política de expulsão do tráfico de uma certa comunidade, trazendo segurança não só aos moradores do morro, mas também aos do asfalto ao redor, já que sem armas ,haveriam menos assaltos.

Quando começou, discreta, no morro do Dona Marta em Botafogo, ela foi extremamente eficiente, prendeu vários traficantes e apreendeu armas e drogas no processo de pacificação.Assim dá certo.

Mas o genial governador começou a alardear na mídia qual seria a próxima UPP ( notem que sempre no mundo da classe média tradicional, do Leblon à Tijuca) e, os traficantes que de bobos não tem nada simplesmente se retiravam do morro alguns dias antes do BOPE proceder com a pacificação.E todas as armas e drogas iam embora para morros periféricos, como os complexos do Alemão e da Vila Cruzeiro.

O que acontece é que agora os traficantes vão sendo acuados em regiões de densidade populacional gigantesca, causando mais confrontos por pontos de venda de drogas entre eles e situações como a de Madureira que atravessa 7 dias a fio de tiroteios, arrastões se tornaram mais frequentes e cidades como a minha Niterói estão passando por um aumento nos índices de criminalidade.

A UPP também falha no seu aspecto secundário, a de trazer o Estado para a favela, com o objetivo de reduzir as diferenças asfalto-morro. Nem no lugar da já citada UPP piloto se criou um posto de saúde ou escola sequer.

Se no papel a UPP é uma maravilha, na prática o plano de governo parece ser UPP's na zona Barra-Tijuca, onde está a classe média e abandono do resto para a mão de milícias e do próprio tráfico, é uma excelente ideia sendo subvertida para beneficiar poucos.Tucanaram a UPP

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu venci o sistema

Sim amigos, ao ver Tropa de Elite 2 , eu venci o corrupto e opressor sistema do império Cinemark.Eles acharam que simplesmente alegar indisponibilidade de ingressos ia me impedir de ver o filme com meu amigo e eventual colaborador desse blog, o Philippe Vasconcelos, eles estavam enganados.

Tudo o que eu tinha a fazer era simples, comprar o ingresso do horário mais próximo e proceder à sala desejada por mim, não por eles.Mas os horários não batiam exatamente, o filme das corujinhas escrotas 3D começava 30 minutos depois, o que me dava tempo de sobra para conseguir um álibi.

Eu sabia como burlar a fiscalização que, em dias lotados fica apenas no térreo, mas ainda assim , caso suspeitassem de mim fui arrumar uma nota fiscal amarela, igual a do ingresso eletrônico que eu tinha.Fui nas Lojas Americanas e comprei Terminator 1 (R$10.00, adorei).

Com tudo certo, entrei no cinema e,logo ao fim das escadas rolantes, livrei-me dos incriminadores ingresso e óculos 3D. A vitória estava próxima.Um fiscal me olhou estranho, não entrei diretamente na sala, fingi que fui ao banheiro e, ao passar por ele, dei meia volta e entrei na sala a tempo de perder exatamente 30s de filme.O sistema pra mim é fichinha, senhor Nascimento.

Bom, sobre o filme, depois de uma semana de exibição nem sobrou muito para falar, mas vou tentar. O filme é genial em mostrar pessoas reais.O governador é o Sérgio Cabral,o Deputado corrupto é o Álvaro Lins, o da TV é o Wagner Montes que, no fim, tem seu personagem condensado com a história do miliciano Gerominho.O deputado honesto que luta pelo que é certo se chama Marcelo Freixo e eu tenho muito orgulho de dizer que ajudei a elegê-lo para o seu segundo mandato na ALERJ.

Tropa de Elite 2 mostra com precisão como as coisas funcionaram no Rio de Janeiro entre 2006 e 2008, apesar , é claro de suas licenças poéticas. A fotografia é muito bem feita, os cenários são reais a câmera que segue os personagens em combate, perfeita em um filme de ação.

Só achei desnecessária a monstrificação final do sistema, botando a culpa ao vento e o colocando como algo exclusivo do poder público, como se interesses corporativos não influíssem em muitas políticas públicas. A culpa é minha,sua, de todo o brasileiro que não elege bem seus representantes e não os policia, que após 1 mês das eleições não faz idéia em quem votou para os cargos legislativos, de suma importância para que um país funcione, ou que se orgulha de votar nulo, como se fosse mudar algo.

Nós somos vítimas do "sistema", mas damos também causa a ele.

ps.Pra quem não entendeu, o Nascimento não é o herói, apenas o protagonista.

ps2. Marcelo Freixo faz uma ponta no filme ele é aluno e está na primeira fileira da aula.Sua ponta é maior que a do Dudu Nobre...


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Rash,digo Rush

Pela primeira vez eu fui a um show de rock sozinho, se fosse uma banda qualquer eu deixaria passar sem pensar muito, mas era o Rush, não havia outra escolha em minha mente, eu tinha que ir.

A turnê do Time Machine tem uma historinha explicada em dois vídeos, um no começo e um na intermission, que é muito engraçada, a "verdadeira história do Rush", onde eles eram tocadores de folk alemão numa salsicharia até que uma máquina do tempo os transforma em rockstars.

E o show já começou com Spirit of Radio para levantar o público, que se não era fantástico, não fez feio nem em números nem em participação.Geddy começa a dar sinais da idade na voz,tendo que mudar suas linhas vocais aqui e ali, fora isso é como ouvir um CD ao vivo.

No começo do show, eu vi homens adultos chorarem de emoção ao verem o Rush entrar no palco, deve ser difícil para uma pessoa que vê a música como entretenimento entender isso, mas esse é o tanto de importância que uma banda histórica tem na vida de uma pessoa, elas meio que moldam você, de uma certa maneira.Pensando assim dá até medo em pensar no resultado de uma pessoa moldada à restart.

Na volta da pausa, gerada porque " eles estão bem velhinhos e precisam de descanso" o show chegou ao seu auge, com o CD Moving Pictures sendo tocado inteiro , sem parar pra nada.YYZ foi um momento único na vida, ver aquelas pessoas todas pulando e fazendo a onomatopéia desse instrumental. Eram milhares de tãtãtãtãtãããã... Acho que nunca me senti tão conectado com uma banda como nesse momento, parecíamos todos um só.

O apelo visual do show era muito bom, luzes muito legais, AMP's modificados para parecerem máquinas do tempo ,fogos, chamas que me fizeram sentir calor a 25m e até alguns roadies vestidos de cachorro-quente humanos fizeram uma estética muito bem pensada.Destaque para a Aranha de iluminação que se movimentava por sobre as cabeças dos músicos.

Acabado o show corri para a grade, tentar algum souvenir.Infelizmente a Miss roadie tinha 3 palhetas e a minha mão era a 4ª.Enchi o saco deles um tempo, mas o roadie sósia do Geddy Lee, apesar de ter me olhado e acenado, não quis catar nenhuma baqueta pra mim.Voltei sem nenhuma recordação física, mas com a recordação emocional do melhor show da minha vida.

ps.Neil Peart fez literalmente chover em seu solo.Quando ele acabou, a chuva parou.Pra mim não é o maior baterista de todos os tempos, mas está sem dúvidas no panteão de seres superiores do Rock.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Show don't tell

Hoje eu vi... ...Um carro de funerária morrer
..., apesar de estar no 4º ano da faculdade de direito um júri
... que tribunais deviam ser feitos de outra coisa que não plástico, parece LEGO
... o contraste entre o desdém dado ao defensor e o status de quase rockstar que o MP goza entre os jurados
... que é perfeitamente possível passar uma hora falando em plenário sem mencionar a pessoa do réu.
... que , de fato, os PM's cariocas tem suas fardas muito parecidas com a de mecânicos
... engarrafamentos surgirem do nada, em horários e lugares inesperados ( que é cada dia mais comum em Niterói)
... um defensor pedir a condenação de seu assistido ( que achei chocante)
... como o Gilberto Silva marcaria o Xavi se Brasil e Espanha jogassem na Copa - ele não marcaria.
... um carro mais abominável que o PT Cruiser, o PT Cruiser Cabriolet

sábado, 12 de dezembro de 2009

Miss Sarajevo [2] & Police on my Back[2]

A mundialmente conhecida ONG Human Rights Watch veio a confirmar em um recente relatório o que todos nós já sabíamos: A polícia carioca e a paulista exterminam pessoas sob sua custódia.

Em um país onde a polícia científica é uma piada e as vítimas dos "autos de resistência" são tratadas com uma pressa no mínimo estranha, a ONG conseguiu dados suficientes para provar 51 casos de extermínio.

Pode não parecer muito, mas ao levarmos em consideração que 17% dos encontros da polícia com seus suspeitos resultam em morte dos últimos, é razoável imaginar que esse número é bem maior.

Dar poder a pessoas despreparadas, pondo-as na rua, permitindo que elas driblem algumas regraspara conseguir que o trabalho seja feito é uma ação típica de governantes idiotas , que de fato não dão a mínima para a população.Não há política de segurança pública no Brasil,mas sim uma política de repressão violenta nas classes baixas, longe das câmeras.

Esse assunto está ficando rotineiro demais, repetitivo demais no meu espacinho, pretendo dar uma parada por uns tempos,já que nada vai mudar.

Provavelmente voltarei quando começarem a denunciar extermínios feitos por policiais das UPA's, da pseudo nova política da polícia, que estaria abandonando o enfrentamento e abraçando a ocupação.O problema é ocupar o morro com unidades estilo BOPE, tão boas em lidar com seres humanos.

domingo, 8 de novembro de 2009

Dogs In the Midwinter

Eu fui ao maracanã como torcida visitante e, isso por si só é um evento já que recebemos tratamento extra especial da polícia nos quesitos má vontade e truculência.

Mas isso ocorreu só na parte de dentro do estádio, ainda há o desafio de chegar a ele.Eu faço parte deum grupo de palmeirenses aqui no rio que nos juntamos para vermos juntos os jogos em bares e pubs da vida,afinal ver jogo sozinho não é a mesma coisa. Não somos organizada, mas alguém na organizada do Fluminense descobriu que estavamos fazendo um churrasco ali por perto para nos prepararmos para o jogo e quiseram arrumar confusão.

Como o policiamento de jogo não de extende a meras duas quadras do estádio mais importante do futebol brasileiro, nos separamos, um grupo foi a paisana com as mulheres(onde eu fui, já que eu apanho até da porta do meu quarto) e o outro grupo com os outros caras, também à paisana.Acabou que não deu confusão nenhuma,já que eles esperaram até as 3:50 para fazer a travessia.

Voltando à parte do estádio, tínhamos 1/4 do anel inferior reservado à nossa torcida, já que compramos algo na casa de 7.000 ingressos.O problema é que a polícia simplesmente nos deu metade desse espaço e deixou o resto vazio.Quem tentava sentar na área proibida era logo retirado à gritos de um PM portando um cassetete que mais parece uma sabre de luz de tão grande em uma mão e um spray de pimenta na outra.

Aos 15 min do 1º tempo, quando as organizadas que vieram de são paulo estavam na iminência de chegar, eis que surge a óbvia ordem de nos conceder o espaço ao qual possuíamos direito.

O abuso não parou por ai.A CBF e a TV Globo, que possui os direitos de transmissão do campeonato, marcaram o jogo para as 16:00, como se não estivéssemos em horário de verão, com o sol das 15:00.Todos cozinhamos,já que nos foi designada a parte onde o sol era mais impiedoso.

Após todo esse sofrimento, por paixão incondicional ao clube que amo, o Palmeiras,tive que assitir o abuso da arbitragem,que foi catastrófica, anulando gols legítimos , não marcando penalidades( as quais eu não tenho 100% de certeza que ocorreram, só digo o que vi da antiga geral) em Sandro Silva no 1º tempo e Love no 2º e ainda não vendo uma agressão acintosa do 18 do Fluminense do Armero NA FRENTE DO AUXILIAR que, mesmo vendo o jogador alviverde sangrando disse ao árbitro que o jogo poderia correr em um sinal manual.

Moral da história:Fazem de tudo para que desistamos de ir aos estádios, nos tratam como cachorros mesmo e, como cereja no bolo, ainda nos dão um produto de baixa confiabilidade, já que é contumaz o auxiliar do jogo, o árbitro, decidir os cotejos.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Miss Sarajevo

Ontem o secretário de segurança do Estado do Rio de Janeiro, Mariano Beltrame, soltou a seguinte pérola:"o Rio de Janeiro não é violento". Ele continua, falando que a criminalidade no rio é algo que somente existe em pontos isolados da cidade, que bairros como Urca,Lagoa, Ipanema e Gávea tem índices de homicídios comparados às cidades européias.
Em uma cidade de aproximadamente 7 milhões de habitantes, o secretário escolheu bairros de 6700 habitantes como a Urca, um bairro de renda per capta de R$ 40.000,00, quatro vezes maior que a média do município, que é de R$12.224,00.
Fica claro quem importa de verdade na cabeça da secretaria de segurança do estado cuja capital possui o desesperador índice de 42.6 mortos por cem mil habitantes, ou seja, aglo em torno de 3000 homicídios na cidade maravilhosa no ano de 2008.

É verdade que a violência nos bairros da zona sul é menor, rondando entre 5 e 20 homicídios por 100 mil habitantes, o que ainda seria bem acima da cidade mais violenta da Europa,Amsterdam, com 4,5 homicídios pela taxa já mostrada.Mas nessas áreas estão alguns dos responsáveis pela violência na cidade: Os usuários de drogas ilícitas, que diretamente financiam os armamentos de seus vendedores e os políticos que decidiram que comprar fuzil e subir morro atirando era o jeito certo de proceder contra o tráfico.

Talvez Beltrame estivesse se referindo à européia cidade de Sarajevo, que nos anos de 1991 à 1996 passou por uma guerra de limpeza étnica(genocídio de pequenas proporções, de acordo com Haia) e atingiu a monstruosa taxa de 83.3 homicídios por 100mil hab.

Essa referência só teria um problema:Se lembrarmos das regiões norte e oeste da cidade, onde além do tráfico existem as milícias e a ação mais truculenta da polícia, encontramos taxas de 83.4 e 102.3 homicídios(Madureira e Pavuna, respectivamente), acima de um país durante um genocídio.
Vivemos em um genocídio por classe social.