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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O ocaso da alma

Essa semana será recheada de textos políticos, vou tentar pela primeira vez em muito tempo, escrever antes das coisas acontecerem.Hoje não será assim.

Arsène Wenger é um homem com uma visão muito particular do futebol, uma visão meio Rinus Mitchell de formação de um time, sempre desejando que seus atletas sejam extremamente técnicos e rápidos, para que assim possam envolver seu adversário com passes rápidos, retendo a posse de bola e finalizando sempre que oportunamente.

E assim foram os times do Arsenal sob sua batuta desde que assumiu o time em 1996, ainda que no começo de seu trabalho o perfil dos jogadores fosse diferente, mais consoante com o modorrento futebol da era Boring Arsenal, quando nossos ícones eram defensores e o grande grito que se ouvia em Highbury era "One nil for Arsenal".

Mas ao longo de sua administração Wenger foi contratando jogadores que condiziam melhor com sua idéia de futebol como Overmars,Vieira, Pires e a sua principal descoberta, uma que muitos achavam que não iria suprir a saída de Davor Suker, Henry.Com esse esquadrão o Arsenal apresentou o futebol coletivo mais belo da era moderna do futebol e foi responsável pelo fato de hoje eu ser um fanático gunner.

Infelizmente, para um manager ganhar às vezes não basta, é necessário também mostrar sua capacidade de fazer o clube "mudar de patamar".E essa era a grande ambição de Wenger ao liderar a transição Highbury-Emirates , transformar o Arsenal em uma potência econômico-futebolística que não dependesse do mecenato de duvidosa origem nem dos generosos perdões fiscais dados principalmente na Espanha.

Digo infelizmente porque, apesar de torcer para um clube sem dívidas, torço para um clube sem alma.Os altos preços do carnê de temporada do Emirates Stadium afasta o torcedor " de arquibancada", aquele que antes das reformas causadas pelas tragédias de Heysel e , principalmente Hillsborough, ficava nas standings, arquibancadas sem assento, muito comuns ainda no Brasil, torcedor esse que é o que canta e incentiva pelos 90', que faz o estádio ficar famoso ao redor do mundo, que dá medo nos jogadores adversários.O moderno Emirates virou ponto turístico londrino, um exemplo da organização e força da melhor liga de futebol do mundo, um exemplo do silêncio.

Mas esse não é o grande pecado de Wenger, ele pecou mais quando se desfez da genial geração do unbeaten de uma só vez para apostar em jovens promessas, 7,8 jogadores sub-23 por vez em campo, jogadores que não receberam dos mais velhos( porque eles não haviam) aquela famosa explicação do que significa ser um gunner, são jogadores sem alma.

Arsène também perdeu a sua alma, seus times não possuem mais o mortal contra ataque que em 4 toques chegava à meta adversária, a defesa não é mais sólida, as alterações sempre vem tarde, há demora na leitura do jogo.E, sem a sua alma vencedora, ele mostrou uma das piores características da cultura francesa, a teimosia.

Foi dito pelo governo inglês em 1938 que a linha Magineaux não seria útil no novo tipo de guerra que os alemães tinham em mente, a blitzkrieg,mas os franceses insistiram em suas trincheiras de 30 anos de idade, como foi dito também a Napoleão que uma investida francesa há 4.000km de sua terra natal, na fria Rússia, não poderia ser bem sucedida, mas o pequeno general não quis mudar de idéia.

Essa teimosia turva a visão do outrora genial treinador e não o permite ver e reconhecer erros essenciais na formação do elenco atual, erros esses que ferem a própria proposta de jogo que ele tão veementemente defende.

Num estádio sem alma entra um time sem alma treinado por um técnico sem alma, enquanto na quente Barcelona, Guardiola guarda o legado do futebol a là Wenger.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

From Pimpers Paradise to The Foggy Dew [review]

Bom, como prometido, mas definitivamente não quando, chega a minha sincera impressão de cada cidade visitada.

Amsterdam:Diferentemente do mito criado em torno dessa simpática cidade, as pessoas não fazem sexo na rua a todo o tempo e a humidade do lugar cria uma sensação térmica muito abaixo do que o termômetro marca, mas Amsterdam é uma cidade movimentada o dia (e a noite) inteiro,a cidade é muito limpa, os museus são respeitáveis e as pessoas bem legais.
Se gostarem de ir a museus, comprem o passe Iamsterdam, fica muito mais barato, já que o transporte público também está no pacote, sem contar o bônus de furar a maioria das filas.
Fiquem na parte central, nos canais, é onde as coisas funcionam depois das 6 da tarde.Liedsplatz e Rembrantplatz são os lugares que eu recomendaria.

Bruxelas:A cidade é pequena e muito, muito bonita, mas eu tive a nítida impressão de que os habitantes de lá não gostam muito de onde estão(principalmente os imigrantes) o que te faz pensar sobre a rotina da cidade.De qualquer maneira, há muita coisa para ver e fazer, definitivamente não é uma perda de tempo.
Eu evitaria ficar longe da Gare Central, apesar da cobertura de metrô ser excelente, ele é bem lento.

Paris: A cidade é tão famosa e visitada que quase dispensa um comentário.Paris oferece o supra-sumo da arte em seus museus e tem vistas espetaculares, como se não bastasse a poucos minutos de lá se encontra o palácio de Versailles, que deve ser o mais famoso do mundo.Vale apena passar um bom tempo na cidade.
Mas uma coisa eu descobri, meio que sem querer é verdade, os passes te metrô universais para turistas são mais baratos que os vendidos nas máquinas automatizadas, então é válido perder alguns minutinhos na fila do atendimento pessoal ao turista.
Quanto a hospedagem, qualquer lugar na rive gauche( a parte norte da cidade) te permite uma posição muito boa para rodar pela cidade.

Londres:Londres é outro lugar que é difícil dar alguma informação nova, mas não deixem de ir ao museu de história natural, nem ao British,que são únicos na forma detalhada como contam a história do planeta e da raça humana, respectivamente. Se esse é o seu único destino inglês na viagem, não deixe de ir a um jogo de futebol, mesmo que não torça para nenhum time londrino ou ainda que nem goste muito de futebol, a experiência em um estádio inglês lotado é diversão garantida até mesmo para os mais alienados ao esporte.( Se não quiser gastar muito com essa experiência, não veja jogos de Arsenal, Tottenham ou Chelsea, procure um jogo do Fulham ou do West ham).Um passeio o qual eu também gostei muito e não é muito comentado é uma visita aos cabinetes de guerra, o QG do front ocidental na segunda guerra mundial.
Não deixem de comprar o Oyster, o riocard deles ( gostou da prepotência carioca?) e , claro , de ir ao teatro, as peças londrinas são muito boas.

Oxford:Apesar de ser uma cidade meio morta, sem muitas atrações, uma vez que não é permitido entrar nos campi da universidade, ainda sim não é um destino a ser jogado fora.A cidade é um bom lugar para ficar enquanto se visita cidades interessantes ao redor, como Salisbury( a cidade onde se pega o ônibus para Stonehenge) e Bath, uma cidade romana.

Cardiff: Apesar de recentemente modernisada e a área da baía ser deslumbrante, a cidade não possui muitos atrativos para o turista brasileiro.Se você não gosta de rugby e não sabe o que é Dr.Who, dificilmente achará a cidade tão boa quanto eu achei.
Uma nota para o Millenium Centre, que é um teatro muito , muito grande ,e que estava lotado em uma terça à tarde.
Não fiquem na baía, prefiram os arredores do castelo.

Liverpool:O óbvio basta na cidade; vá atrás das coisas dos Beatles e ao célebre estádio de Anfield road e diversão vem junto.O centro da cidade não deve em nada para Oxford St. em termos de movimentação, tanto diurna quanto noturna.Aliás, a vida noturna de Liverpool é imbatível, são vários clubes tocando rock bom ao vivo, te faz sentir como uma criança em uma loja de doces.
Além do óbvio, os museus da terra do lendário Ringo Starr são uma boa atração, tanto pelo fato de serem gratuitos como pela temática um pouco incomum, como o museu da Alfândega e um que mostra os horrores da escravidão desde a idade média até os dias atuais.
Qualquer lugar próximo da estação Lime St. é bom logisticamente.

Edimburgh:Edimburgo tem o castelo mais bonito que eu vi, juntamente com outros lugares bonitos e o melhor museu do mundo: o museu do whisky. O lado chato da cidade é que tudo de bom é precedido de uma ladeira imensa.
Quando eu fui o transporte público estava todo em obras , então é aconselhavél ficar em Prince St. e seus arredores.

Inverness: O único arrependimento da viagem.A cidade que deveria ser o centro turístico das highlands não oferece nenhum serviço do tipo, sem contar que simplesmente não há nada para fazer por lá, nem ir ao cinema.
Não há dica de lugar para ficar, eu não desejaria isso a ninguém.

Glasgow: A cidade industrial da Escócia é deslumbrante, nota-se na arquitetura e na densidade demográfica que muito dinheiro já passou por ali.Glasgow é a cidade mais densamente povoada do Reino Unido então 90% dos lugares são facilmente alcançados com uma rápida caminhada.O festival de música celta que acontece todo o mês de janeiro fez a cidade ficar bem mais interessante para mim no quesito vida noturna, mas tenho certeza que com a quantidade de boates e , principalmente, pubs da cidade é impossível não sair à noite e encontrar algo que agrade.
A região de Union St. é a mais central, recomendo-a.

Belfast:Vou ser sincero, eu achei que Belfast fosse ser uma grande perda de tempo, mas não foi.É bem verdade que vida noturna não existe e o centro da cidade morre subitamente ao pôr-do-sol, mas aqui é necessário se dar uma trégua para uma população que há uma década ainda vivia uma situação de guerra civil.
Belfast tem uma história muito mais rica do que se imagina, com fatos como resistência à explorar o tráfico de escravos ainda no século XVII.
Apesar de ser sem graça, fique no centro.

Dublin:A cidade sede da Guiness não pode ser um destino ruim, mas com certeza é bem pior do que a encomenda, as pessoas não são tão legais como eu vim presenciando desde Liverpool e a exploração voraz do turismo é quase caricatural para uma região por tanto tempo tão periférica na Europa. Mesmo assim não é um lugar que se deve pular.
Qualquer lugar perto da parte central do rio Liffey é um bom ponto.

sábado, 9 de janeiro de 2010

From Pimpers Paradise to the Foggy Dew [5]

Hoje foi o dia o qual eu mais esperava na viagem: Visitar a casa do Arsenal, o Emirates Stadium.Eu, imbuido de um forte senso brasilianista de ver futebol, resolvi chegar duas horas antes, afinal e assim que se faz quando se vai ao maracana.

O problema e que aqui eles nao pensam assim, como cada um ja tem seu lugar previamente reservado, nao ha nenhuma necessidade em chegar cedo no estadio, nem mesmo para fugir do transito, ja que uma estacao de metro a menos de 500m resolve esse problema facilmente.

Entao, fiquei trancado do lado de fora do estadio, ja que os portoes so abrem 1h30 antes do cotejo. Tudo bem, foi o tempo que eu precisei para ir a loja do Arsenal e comprar a minha camisa Away09/10 do van Persie.Portoes abertos, la vou eu, subindo as escadas para o anel superior, atras do gol. Eram 1330 e eu estava com fome, vou comer pensei. Mas eis que estava com nada no bolso e no estadio nao se aceitam cartoes e nem existem caixas automaticos.Comprei o que dava com as minhas moedas:um pacote pequeno de pringles.

Comi esperando comecar a partida, ainda faltavam mais de uma hora, ventava horrores e nao ha aquecimento nos corredores do estadio, afinal e um estadio.

Depois de todo esse sofrimento fisico, lutando contra o frio, chegou a hora de ver bola rolando, meu ingresso podia nao ser la uma maravilha, mas eu estava exatamente atras de um dos gols, o que me permitiu uma visao tatica muito boa da partida.

Meu time foi sofrivel, parecia nao ter entrado em campo, meu vizinho de cadeira, um ingles fanatico , daqueles que tem cara que deixaria a mae no hospital para ver o Arsenal jogar estava completamente inquieto, nao conseguia entender a indolencia de Arshavin,a lentidao de Diaby,a inseguranca de Almunia, gritava com os jogadores como se os mesmos ouvissem, como se eles fosse todos seus amigos intimos, concordamos que ao final do primeiro tempo so Sam(Nasri) estava se salvando, o time estava apatico.

Na volta do intervalo, vimos nosso time mais animado, mais disposto a conseguir a vitoria,pressionamos, conseguimos boas chances, mas ainda faltava algo a mais.Entao veio o segundo gol do vil inimigo, que levou consigo alguns milhares de bravos torcedores que tiveram a audacia de sair de casa em tao adverso dia.

O time empatou, gracas a um chute espirita de Tom(Rosicky), mas no geral, eu e meu companheiro de arquibancada ficamos com o amargo gosto de ver mais um ano se perdendo pela falta de elenco, causada pela interminavel serie de lesoes e pela teimosia de Wenger em nao contratar.

Eu nunca sofri tanto, fisicamente na minha vida como hoje, ficando exposto a neve e vento com somente duas torradas comidas as 9 da manha no estomago e o pacotinho de pringles.Tudo isso teria valido apena se tivesse visto uma performance inesquecivel do Arsenal. Nao vi,mas no fim das contas, valeu apena mesmo assim.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

From Pimpers Paradise to The Foggy Dew [4]

Ontem cheguei a Londres, provavelmente meu destino mais esperado na viagem. Tudo estava indo maravilhosamente bem, apesar de estar hospedado em um buraco,o mais caro buraco no qual ja me hospedei, eu ia para o jogo do Arsenal, estava tudo bem.

Eis que veio e neve, e como veio neve. Nevou por duas horas sem parar, torrencialmente, se e que existe neve torrencial, e o jogo foi cancelado e meu dia ficou vazio.

Entao eu fui comer um curry, talvez o primeiro na minha vida que nao arrancou parte dos meus labios, e fui ao cinema, vi Sherlock Holmes.

O filme e realmente muito bom, apesar de em alguns momentos ser por demasiado forcado, bem ao estilo hollywood.A overdose de efeitos especiais desnecessarios tira um pouco o foco de Law e Downey Jr. que estao ambos em atuacoes muito boas, principalmente Jr. que faz um``Sherlock Moon`` extremamente engracado.

ps. continuo a apanhar dos teclados, perdoem meus erros de portugues.