segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

É estupro sim.

Odeio BBB e, ao escrever, já estou meio arrependido de ter dado tanta atenção para um programa tão idiota.

O que aconteceu hoje lá com o caso do suposto estupro já foi bastante repercutido e não é exatamente sobre ele que quero falar, mas sim sobre a repercussão em si. A repercussão só mostra como nossa sociedade ainda é patriarcal e machista.

Ela estar bêbada não é motivo para que ela possa ser estuprada, como não seria se ela, ou qualquer outra mulher, estivesse sóbria, nua e resolvesse na hora H ir embora. Pasmem, neomachistas, até prostitutas podem ser estupradas! No local de trabalho, com clientes!

Mas o que ocorre, infelizmente, é tentar de tudo para culpar a vítima, que teria provocado seu agressor de alguma forma, como se o álcool, o envolvimento prévio, ou até vestes provocantes justificassem ou atenuassem esse podre crime.

"Identidade sexual é um conceito que se utiliza para abarcar as hipóteses nas quais a vítima não goza de liberdade sexual, seja momentânea, seja por um espaço de tempo mais ou menos permanente. A pessoa adulta que, por qualquer causa, se haja privada de sentido, uma criança de nove anos ou um sujeito que sofre qualquer tipo de transtorno psíquico, nenhum deles pode em um momento determinado dispor sobre a sua liberdade sexual.

E se alguém mantivesse relações desta índole com a pessoa que se encontra nessa situação, atacaria sua identidade sexual. E se entende por tal o direito que todo ser humano tem a manter incólume sua dignidade humana frente a consideração de seu corpo como mero objeto de desejo sexual. Desta forma, a identidade sexual está intimamente relacionada com a dignidade humana e com o livre desenvolvimento da personalidade"

JIMÉNEZ, Emiliano Borja - professor titular da Universidade de Valência.

Como dizia um professor meu da faculdade, o estupro é o crime mais escroto que há, já que não é um crime que possa ser de qualquer forma aceito ou compreendido. Um homicídio pode ser compreendido, um estupro, não.

ps. se vierem falar algo sobre ser estratégia de jogo, nem comentem, só usei o caso como gancho e não me interesso nem um pouco sobre o que acontece dentro da falada casa.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Agora que me toquei que meu blog está entrando em seu quarto ano, com mais de 270 postagens nesse período.

Impressionante como esse pequeno e até bobo hábito de escrever nesse bloquinho de notas público foi importante para meu crescimento como escritor e, até uma certa medida, crescimento pessoal.

Não que o conteúdo dos meus textos, sempre um twist depressivo sobre os mesmos aspectos da sociedade que me incomodam, tenha mudado, mas em 4 anos creio ter feito deles uma pequena arte por agora.

Eu posso parecer um grande pessimista, mas quando eu vejo certas coisas... É uma pena ver o senso comum e gosto comum corrente e nunca deixarei de falar mal deles, até porque se parar o blog para de vez. Tinha um textão sobre a questão CNJ v STF, mas não sei se é inteligente para a minha carreira falar mal de juízes. Prometo falar sobre algo interessante nessa linha quando retornar aos meus aposentos.

Obrigado a todos que leem e, principalmente, aos que se dão ao trabalho de comentar.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A silenciosa ditadura da uniformidade

Engraçado quando esperam sempre um certo comportamento pré estabelecido. Norte Coreanos chorarem pela morte de seu líder, um, diz a visão ocidental e capitalista, ditador malévolo e cruel que deixa seu povo morrer de fome para que ele possa deixar seu sucessor, Jong-Un bem gordinho para sua posse, é um absurdo, uma farsa. Tudo de positivo que possa transparecer do povo para seu regime, que é de fato uma ditadura sucessória, é falso e armado, toda a prosperidade do sul ultracapitalista, incensada.

Índios, pessoas que muitas vezes só querem viver na comunidade delas e sofrem com a chegada do mundo moderno, uns preguiçosos. Roubamos o país inteiro deles e ainda queremos suas reservas, e esses atrapalham o progresso.

Conseguir resultados profissionais para ontem, estar alinhado.

Tudo isso, a modelação cultural em geral, foi exatamente o que o movimento hippie tentou desconstruir, por que essas tolas amarras que impedem as individualidades de se manifestarem ainda persistem mais de 40 anos depois?

sábado, 31 de dezembro de 2011

Abandonos

Nossa, há muito tempo não escrevia nada por aqui. Sinto que abandonei vocês, leitores inexistentes.Confesso não ter perdido muitas noites de sono com isso.

A Arsenal Brasil, o Matou de Canela e, mais recentemente o a-prancheta.com tomam meu tempo internético e meu tempo livre, sem tempo livre não me inspiro para escrever minhas bobagens por aqui e diferentemente da Raquel eu não consigo me auto-comiserar e causear as coisas bizarras que acontecem na minha vida ( ainda que elas abundem).

Mas não se preocupem meus poltergeists, não foram os únicos a serem abandonados eu também me abandonei, larguei um monte de coisas, retornei a tantas outras, mudei sem mudar, cresci sem crescer.A roda viva de amigos continuou, alguns mais próximos outros nem tanto, alguns menos queridos, outros agora imprescindíveis.

Apesar de ter muito a fazer no ano que começa em poucas horas, não farei listas nem resoluções, não vejo ponto num pedaço de papel me lembrando das coisas que já decidi fazer há algum tempo, o que resta a ver é se a minha perseverança em vencer todas as minhas barreiras estará em perfeito estado ou abandonarei novamente coisas pelo caminho.

Se não me levar ao máximo, sei que não me conformarei, me sentirei um derrotado, já perdi para esse pedaço de carne que decora a minha alma uma vez e não perderei novamente, ainda que tenha que arrastá-lo por aí.

Afinal, orgulhar a você mesmo é a única coisa que podemos fazer nesse mundo, não é? Agradar aos outros só te leva a te diminuir, te desgastar, te entristecer, porque para o outro nada nunca é o bastante, ou pelo menos é assim que pensamos que eles pensam que nós pensamos que eles pensam do que nós pensamos, ou algo parecido.

Detesto esse sentimento de resetar a sua vida que o ano-novo traz e supostamente dá as pessoas, que todas se dedicam, ainda que verbalmente, a se tornar pessoas melhores, a mudar, mudar daquela essência a qual são reconhecidas por, mudar para se encaixar melhor. O ano-novo nada mais é que um feriado que vem uma semana depois do natal, que te faz beber vinho espumante, preferencialmente depois de estourar a garrafa e estragar o mesmo ( tá, esse é meu lado chato e pedante falando). Não é pular sete ondinhas, se vestir de branco e comer lentilha até se estufar que vai mudar nada na sua vida, até porque, provavelmente nada de significante vai mudar de qualquer maneira.


sábado, 8 de outubro de 2011

Aventuras gastronônicas

Estou fazendo um curso no rio aos sábados, sabe como é, trocar a felicidade pelo saber jurídico e essas coisas.

Como o centro fica meio longe da minha casa, tenho que almoçar algo por aqui e nos finais de semana as opções não são tão vastas.Tirando galeterias ( devia ter ido em uma, aliás) e junk food, só o que tinha como opção era o La mole, uma rede de restaurantes wannabe chiques daqui do Rio.

E nos 20 minutos que fiquei por lá, acho que entendi porque donos de restaurante reclamam que eles não dão lucro: eles são completamente amadores na maneira de lidar com seu negócio.

Vamos começar pelo número de garçons. Um restaurante onde se poderia escolher entre buffet e escolher do menu, com pouco mais de 20 mesas, possuía incríveis 6 funcionários, sem contar com a moça cujo trabalho é abrir a porta. É muita gente olhando você comer e pouca gente de fato atendendo, sempre havendo um ou dois funcionários ociosos pela simples falta do que fazer.Apesar dessa turma toda, o atendimento não era impecável, coisas bobas como não se dar ao trabalho de servir do lado certo da mesa, fazendo o cliente ter que pegar o prato da mão do funcionário é algo, para mim, fora de padrão de um restaurante que se diz chiquinho.

E aí entra a questão da cozinha, que também não atende a padrões considerados corretos, nesse caso para todos, imagino. Meu pedido, um frango com quiche e salada ( ok, talvez tenha sido culpa minha por ter feito um pedido tão menininha) veio acompanhado de uma salada que devia estar de bobeira na geladeira do restaurante há pelomenos 4 dias, as folhas tinham queimaduras de frio nas pontas e aqueles pontos negros no meio que indicam deterioração. O fato de estar escrito Ceasar salad e apenas uma montanha de alface com alguns croutôns serem servidos também não ajudou.

Por ter aprendido com minha sábia mãe que nunca se manda um prato voltar para a cozinha sob pena de ser imensamente sacaneado, comi o que estava bom e ao fim da refeição comuniquei ao gerente o estado da minha salada. Resultado? Não tiveram cara de me cobrar.R$20 que o dono daquele restaurante nunca verá na vida dele ( fora o que custou para fazer o prato).

Na mesa ao lado, uma senhora pediu para que passassem mais a carne dela. Tudo já começou errado quando não perguntaram a ela o ponto desejado da carne, diga-se, mas quando um caso desse acontece, se retira o prato todo, se reassa a carne e se retorna o mais rápido possível.Mas esqueceram do pedido da senhora.Resultado? Tiveram que servir um prato de R$40 duas vezes mesmo ela tendo comido os acompanhamentos do 1o prato, já que a carne não se fazia presente naquele momento.

Cometendo tantos erros em 20 minutos, fica difícil lucrar.Vendo gente administrar seus negócios assim, até pilho um pouco em abrir meu pub viu...

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Love Story

Resolvi esrever um short story e ir colocando por pedaços aqui, conforme termino-os. Espero que gostem, mas mesmo se não gostarem, comentem.

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Alarme, 7am, lavar o rosto, fazer um café, sair pro trabalho, checar e-mails e redes sociais, trabalhar por quatro horas, almoçar, mais quatro horas de trabalho, voltar para casa, enfrentar 30 a 90 minutos de trânsito, chegar em casa, tomar banho, comer, ver televisão, ir dormir.Repetir os passos anteriores 5 vezes por semana, 48 semanas por ano, 240 dias de produção contraproducente.

Está sozinho, sem namorada, seus amigos há muito se distanciaram por diferentes motivos. Começa a beber um pouco além do socialmente considerado adequado para aplacar essa solidão que corrói seus pensamentos, mas logo vê o álcool é ineficente em lhe dar o alento que procura.Tenta fumar, mas isso só o ajuda a fazer a rotina andar mais rápido e a rotina, por mais infernal, cíclica e irritante que seja, é tudo que lhe resta nesse exato momento.

Sim, a maçante rotina que irrita a todos traz conforto a Nicácio.Dentro de seu trabalho ele soube cultivar aquelas amizades plásticas, do cafezinho e da água, que por mais superficiais que sejam são infinitamente melhores que a não responsiva televisão que o espera em casa.No trabalho belas mulheres o procuram, ainda que seja apenas para pedir um relatório ou um grampeador. Esses ilustres desconhecidos lhe dão quarenta horas semanais de amizade e ainda por cima o acompanham em seus almoços, dando a ele o prazer de ter uma refeição acompanhada, coisa que só acontece durante a semana de trabalho.

Nunca ousou sair com os colegas após o trabalho, ainda que fosse constantemente convidado.O medo de que o achem desagradável ou desinteressante e, consequentemente o excluíndo dentro do ambiente de trabalho era muito maior que a vontade de aproveitar uma ou duas horas semanais de companhia para um chopp.

Nicácio decidiu então experimentar drogas mais ilícitas, maconha, ácido. Até que foram experiências interessantes, divertidas, mas o medo das pessoas que passaram a o cercar, especialmente os fornecedores de seus pequenos entreterimentos somado ao temor de uma eventual prisão, que o levaria a ter novos e indesejados amigos, falaram mais alto e logo o projeto ilícito foi abandonado.

Decidiu partir para uma área mais cinzenta da lei e se envolver com prostitutas, afinal sentia necessidade por contato físico, respostas, conversas. Claramente as garotas de programa não estavam muito interessadas nas respostas, nem nas conversas, algumas ainda achando um tanto quanto desagradável seu desejo por constante e intenso contato físico. Dessa vez, o meio ficou com medo de seu intruso experimentante e logo o expeliu.

Então estava ele, desolado por mais um feriado prolongado, eventos que simplesmente o corroíam de uma maneira inimaginável, deitado em sua cama, olhando para o nada, foi vítima de um rápido cochilo. Ao acordar, tinha sentido que o sonho era real e aquela sensação de prazer nunca antes experimentada, preenchimento a muito não sentido, havia lhe levado ao êxtase.

O caminho estava traçado, deveria passar a usar sua mente como a droga propulsora de sua vida.Sonhar.

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Mais dia menos dia, a história continua.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Idiotices

Idiótico, pasteurizado, até mesmo bobo.

Tudo hoje em dia é tão diferente, tão especial, que é totalmente igual.

Faculdades que cospem conhecimento técnico, mas nenhum cívico, social.

Mídia que não serve seu propósito, de investigar, criticar, preferindo conluir, mancomunar.

Tudo é proibido, moralismos, avanços médicos, tudo que nos tira do foco, da música até o cigarro é retirado, pasteurizado, não estamos aqui para pensar, mas sim para produzir.

O mundo mais livre já visto também é o mais preso.

Maldito João Pônei Sorrisão.