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domingo, 29 de maio de 2011

O desnudar

Um ciclone trouxe uma grande ressaca para o lado niteroiense da Baía de guanabara.

E eu poderia falar sobre um monte de coisa de estruturas que eu não entendo, só gostaria de dizer que não me parece inteligente construir tão perto de uma área de notório mar agitado.

Não é sobre o que caiu nesse belo baile de destruição ( e sim, há beleza na destruição furiosa da natureza) que eu gostaria de falar nessas breves palavras, mas sim do que estava escondido por debaixo das toneladas de areia que foram removidas pela ressaca.

Havia um rampão de concreto, junto de duas manilhas gigantes de esgoto na praia de icaraí e, quando fizeram a obra para fazer um emissário submarino ( chiquês para jogar o esgoto em outro canto) disseram que a rampa seria removida. Agora no baixar da maré é nítido que foi mais cômodo apenas enterrar em cova rasa toda a estrutura que ali havia.

Isso resume a Niterói dos últimos anos de uma maneira extremamente precisa, uma cidade maquilada para esconder seus podres.

domingo, 11 de abril de 2010

Polícia Porra

Ontem fui dar uma volta por lugares que costumo passar aqui em Niterói, para olhar o estrago das chuvas e tirar umas fotos.Subi o parque da cidade , um lugar bem afetado e tranquilo, perfeito para tirar fotos com calma.Afinal eram apenas 10:30 da manhã.

Assim achei.

Ao subir uma viatura me passou, perguntei para o PM se havia algo de errado, ele negou, então segui minha ascendente. Tirei a foto do deslizamento que eu queria e começei a descer, passando novamente pelos policiais fardados, quando que surge um cara de trás da viatura, gritando comigo:

- O que você tá fazendo aqui- me indagou.

Expliquei que havia subido para tirar fotos dos estragos da chuva e que estava indo embora.

- Você não vai pra lugar nenhum, vai ficar aí.

Como todo ser humano normal, perguntei por que.Ao receber a pergunta, o indivíduo sacou sua pistola gritando

- Aqui é polícia porra! E tu vai ficar sentadinho aí.

Nem preciso dizer o pânico que me tomou ao ver uma pistola apontada pra minha cara, dedo no gatilho, só porque eu estava no lugar errado.

O nervosinho subiu com os PM's.Logo depois um dos fardados desceu para um lugar onde eu conseguia vê-lo.Perguntei se podia ir embora, ele disse que sim e pediu desculpas com o famoso "Foi mal".

Não tenho nada contra a polícia , muito pelo contrário, mas são excessos como esse que fazem o cidadão comum como eu ter medo de ser parado por policiais.E a medida que eles se sentem segregados da sociedade que defendem, tendem a abusar ainda mais de sua autoridade.
Lindo círculo vicioso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Water

Eu vi o maior desastre natural na história da minha cidade, muitos morreram, não sei ao certo quantos ainda.

Famílias destruídas, dor, corpos soterrados, algo de fato imensurável. Essas pessoas não são só vítimas de uma tempestade histórica, mas também do poder público, que permite que se instalem em áreas de risco, nunca dando opções mais seguras e de mesmo peso financeiro para essas pessoas, afinal isso não é prioridade.Nunca é.

Em Niterói existem duas metades da cidade, separadas por um maçico, por ele passam duas estradas e nenhuma delas é completamente cercada de muros de contenção.Agora as duas metades da cidade estão totalmente separadas.

Mas isso não é importante, o importante é gastar R$50mi em uma obra ridícula de reasfaltamento, afinal só quem liga pra vida de pobre são os próprios.